POLÍTICA – O relator da PEC de autonomia orçamentária e financeira do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM), rechaçou o que chamou de autonomia “meia boca” que estaria sendo negociada em novo texto pelo ministro da Fazenda Dario Durigan e o presidente do Banco, Gabriel Galípolo, como divulgou hoje o jornal Folha de São Paulo . Em entrevista hoje ao programa Mercado Aberto, do Canal UOL, apresentado pela jornalista Amanda Klein, Plínio disse que não há mais tempo para novas alterações no relatório que já está em processo de votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) onde tem votos para ser aprovado também no plenário da Casa.
Segundo a matéria da Folha de São Paulo, Galípolo e Durigan estariam acertando um novo texto com uma autonomia orçamentária em termos , em que servidores continuariam sob o guarda chuva da União e governo continuaria com ingerência sobre uma parte desse orçamento no investimento de tecnologia , não uma autonomia total.
_Se for uma autonomia meia boca não há por parte desse relator a menor disposição de mudar a natureza da autarquia . Posso até aceitar outras coisas, como aceitei o período regulatório na emenda do líder do PT no Senado Rogério Carvalho. Mas mexer na natureza, se vier alguma coisa nesse sentido não adianta, porque não resolve o problema do Banco Central . Então não sou eu, que fez a autonomia operacional, que vai aceitar essa coisa meia boca que não vai resolver _ descartou Plínio, informando que ainda não foi comunicado desse suposto acerto.
Plínio explica que é mais uma tentativa do Governo de obstruir e tentar impedir a votação que deve acontecer na CCJ na primeira sessão presencial . Ele diz que o governo não quer e está sempre colocando um obstáculo para não votar .
_ Não tem mais tempo para isso , não há mais espaço para isso. São dois anos e meio , ouvi servidores, pedi que o BC e o Governo opinassem. Só o BC começou . Lá ficou claro, patente , cristalino que ou é uma autonomia , organizada de forma pública com poder de polícia . Foi o misto que a AGU mandouSe eu aceitar eles vão continuar não querendo do mesmo jeito. Então vamos para o voto. Parlamento é voto _ diz Plínio.
Nesses dois anos e meio de negociação, o governo não diz porque resiste. E Plínio diz que está chamando a atenção do povo brasileiro para o fato de que , numa guerra de vaidades iniciada lá atrás entre Lula e o ex-presidente Roberto Campos, fica claro que o governo não quer o que seja bom para esse País.
_ Estamos falando do PIX , estamos falando de 245 milhões de operações por dia administradas por 32 servidores . estamos falando de uma direção encarregada de fiscalizar hoje de mais de três mil empresas e com menos servidores que cuidavam de 300 empresas dez anos atrás. A gente está tentando chamar a atenção do País para essa importância , é por isso que o Galípolo pediu, que o Roberto Campos pediu lá atrás também. O Governo é sempre assim. Ele diz uma coisa e depois diz outra. Na realidade eles não tem firmeza do que dizem. O atual ministro da Fazenda está simplesmente cumprindo uma ordem dada pelo ministro anterior _ protestou Plínio.
_ Estamos revivendo aquele episódio Lula X Roberto Campos. É um jogo de vaidades. O Galípolo atua, quer. A gente está numa guerra de vaidades do ministro que saiu e o povo brasileiro está a mercê de uma autarquia que não pode cumprir o seu papel _ completou Plínio, acrescentando que o caso Master só foi desvendado por causa da autonomia operacional, senão a diretoria teria sido exonerada.

















