NEWS – Você sabia que o termo “bug” — inseto em inglês e usado no mundo inteiro para descrever falhas, erros e travamentos em sistemas, aplicativos e jogos de computador — tem uma origem literalmente biológica? Embora a palavra já existisse na linguagem popular para indicar pequenos problemas operacionais, foi em uma tarde de setembro de 1947 que o termo se oficializou na história da computação graças a uma mariposa de verdade.
A tarde em que um inseto parou a tecnologia
No dia 9 de setembro de 1947, uma equipe de engenheiros e cientistas trabalhava no Harvard Mark II, um computador gigantesco mantido na Universidade de Harvard para uso da Marinha dos Estados Unidos. O sistema ocupava uma sala inteira e dependia de milhares de relés eletromecânicos para processar dados.
De repente, o computador apresentou um erro inexplicável nas operações. A equipe começou a inspecionar os componentes individualmente para localizar a falha, até encontrar algo inusitado preso no Relé nº 70 do Painel F: uma mariposa de verdade, presa entre as lâminas de contato, impedindo a passagem de corrente elétrica.
Grace Hopper e a primeira “depuração” da história
Entre os responsáveis pela operação do Harvard Mark II estava Grace Hopper, uma das pioneiras da programação moderna e oficial da Marinha americana. Ao remover o inseto com uma pinça, a equipe resolveu registrar o momento no diário oficial de bordo do laboratório (logbook).
Eles colaram a mariposa morta no caderno com fita adesiva e escreveram a seguinte legenda:
“First actual case of bug being found.” (Primeiro caso real de um bug sendo encontrado.)
O ato de remover o inseto físico deu origem também ao termo “debugging” (depuração), utilizado até hoje pelos desenvolvedores para descrever o processo de encontrar e corrigir falhas em um código de software.
O termo já existia antes?
Embora o episódio da mariposa no Mark II tenha imortalizado o termo no contexto da computação moderna, a palavra “bug” no sentido de defeito técnico já era usada de forma informal por inventores do século XIX. O próprio Thomas Edison usou a palavra em cartas escritas em 1878 para se referir a pequenas dificuldades técnicas e falhas de projeto em suas invenções elétricas.
No entanto, o incidente liderado por Grace Hopper transformou uma gíria técnica em um conceito universal da tecnologia.
O inseto virou história
A folha do diário de bordo original, contendo a mariposa histórica colada ao lado das anotações de 1947, está preservada até hoje no National Museum of American History (da Instituição Smithsonian), em Washington, D.C.
Da próxima vez que o seu aplicativo fechar sozinho ou um programa de computador travar, você já sabe: a culpa ainda é do “inseto”!

















