Ouro digital: como a venda de catálogos virou o melhor negócio na música

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NEWS – O mercado da música na atualidade consolidou uma mudança de paradigma: parece que música deixou de ser apenas arte para se tornar uma classe de ativos financeiros tão confiável quanto o ouro.

O modelo de negócio por trás da venda de catálogos funciona de forma direta. Um artista ou detentor de direitos autorais decide vender sua participação nas composições ou gravações master para empresas como a Sony Music ou fundos como o Hipgnosis Song Management. Em troca, o músico recebe um pagamento único imediato, geralmente equivalente a quinze ou vinte anos de ganhos projetados com royalties.

Quem paga são grandes fundos de private equity, como a Blackstone e a KKR, que buscam rendimentos não correlacionados com a volatilidade da bolsa de valores. Quem recebe são artistas veteranos, como Bob Dylan e Bruce Springsteen, ou estrelas contemporâneas que buscam liquidez imediata para novos investimentos.

Uma vez que o fundo adquire o catálogo, ele passa a receber todos os fluxos de receita gerados por streaming, execução em rádio e sincronização em filmes e publicidade. “Música é um ativo que não sofre com a inflação tradicional”, afirma o relatório anual da Goldman Sachs sobre entretenimento.

Catálogos: a dor do mercado e a busca por previsibilidade
Essa estratégia resolve o principal problema da indústria moderna: a volatilidade. Antes do avanço do modelo de fundos, o artista dependia de sucessos contínuos ou turnês exaustivas.

Com a venda do catálogo, o risco de mercado é transferido para o investidor. O músico não precisa mais se preocupar se seus números no Spotify vão cair. Para os fundos, a dor resolvida é a busca por rendimentos estáveis. As pessoas não param de ouvir clássicos em períodos de crise; pelo contrário, o consumo de catálogos nostálgicos tende a aumentar, gerando um fluxo de caixa previsível.

Hoje em dia, os dados revelam que o volume total de transações superou 5 bilhões de dólares anuais. Artistas de grande porte estabeleceram patamares de negociação entre duzentos e quinhentos milhões de dólares por seus acervos.

Para um artista médio, com receitas constantes, as avaliações estão girando em torno de 12 a 18 vezes o lucro líquido anual. O uso de tecnologias de rastreamento via Blockchain reduziu a perda de receitas em trinta por cento, atraindo ainda mais o interesse de gestoras de patrimônio em cidades como Nova York e Londres.

O lado obscuro e os riscos de gestão
Nem tudo são flores no universo dos catálogos. O principal risco para o artista é a perda definitiva de controle criativo. Uma vez que o contrato é assinado por uma empresa interessada no ativo, o fundo tem o direito legal de licenciar a obra para qualquer finalidade.

Isso também pode incluir o uso de canções em comerciais de produtos que o artista desaprovaria.

Para os investidores, o risco é a supervalorização. Muitos catálogos foram comprados com múltiplos altíssimos baseados em taxas de juros baixas; Atualmente, com o custo do capital mais elevado, alguns fundos enfrentam dificuldades de rentabilidade.

Um caso de sucesso é a gestão agressiva da Hipgnosis. Ao adquirir sucessos de artistas como Shakira e Neil Young, a empresa não apenas coletou royalties, mas criou uma divisão de sincronização proativa que inseriu canções em games de mundo aberto e campanhas de luxo.

Essa gestão ativa aumentou o faturamento bruto em vinte por cento em apenas dezoito meses. No entanto, o perigo da obsolescência cultural permanece: músicas que são hits hoje podem não ter a longevidade dos clássicos dos Beatles, tornando o investimento de longo prazo uma aposta de alto risco.

Afinal, vale a pena investir em catálogos musicais?
O veredito atual é positivo, mas exige cautela. O mercado atingiu a maturidade e apenas catálogos com verdadeira relevância cultural estão recebendo ofertas agressivas. A tendência para os próximos cinco anos indica a tokenização desses direitos, permitindo que fãs comuns comprem fragmentos de catálogos.

A venda de catálogos para fundos de investimento não foi um surto passageiro; foi a fundação de uma nova economia onde a propriedade intelectual é a moeda mais forte. Para quem possui hits, o momento de transformar melodias em patrimônio nunca foi tão propício.

 

 

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