ECONOMIA – O novo valor do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, começa a valer a partir desta quinta-feira (1º). O reajuste representa um aumento de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e corresponde a um acréscimo de R$ 103 no rendimento mensal de trabalhadores e beneficiários vinculados ao mínimo.
O aumento leva em consideração a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou alta de 4,18% em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pela regra do arcabouço fiscal.
Valor final fica abaixo do previsto
Com a limitação, o valor final ficou abaixo do previsto inicialmente pelo governo e do que constava no Orçamento de 2026. Sem o teto de 2,5% para o ganho real, o salário mínimo teria alcançado R$ 1.636.
A explicação para a diferença está no comportamento da inflação, que ficou menor do que o esperado, influenciando diretamente o cálculo final do reajuste.
O novo piso serve de referência direta para aproximadamente 60 milhões de brasileiros, segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Além dos trabalhadores que recebem um salário mínimo ou múltiplos dele, o valor impacta benefícios como aposentadorias e pensões do INSS pagas pelo piso, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego, o abono do PIS/Pasep e contribuições do microempreendedor individual (MEI).
Os valores reajustados começam a ser pagos a partir de fevereiro. Com o novo salário mínimo, o valor diário passa a ser de R$ 54,04, e o valor da hora trabalhada, de R$ 7,37.
A política de valorização do salário mínimo foi retomada no atual governo e prevê reajuste acima da inflação, considerando também o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
No entanto, em dezembro do ano passado, uma nova lei passou a limitar o ganho real ao teto estabelecido pelo arcabouço fiscal, com o objetivo de conter o crescimento das despesas obrigatórias.
Geração de Impacto
Segundo cálculos do governo federal, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera impacto de aproximadamente R$ 420 milhões nas contas públicas. Assim, o reajuste de R$ 103 deve elevar as despesas obrigatórias em aproximadamente R$ 43 bilhões em 2026.
Ainda assim, a medida deve injetar aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia, fortalecendo o poder de compra da população e influenciando positivamente o consumo.
Apesar do aumento, o Dieese aponta que o valor do salário mínimo ainda está distante do considerado ideal para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
Em novembro, o salário mínimo necessário, segundo o órgão, deveria ser de R$ 7.067,18, mais de quatro vezes o piso nacional atual.

















