Review | Metroid Prime 4: Beyond compensa a longa espera de 17 anos

CMMspot_imgspot_img

TECNOLOGIA – Foram dezessete longos anos de espera, um hiato que elevou Metroid Prime 4: Beyond ao status de lenda urbana e, inevitavelmente, a um peso de expectativa insuportável. A promessa era de um retorno triunfal, especialmente após o sucesso atemporal de Metroid Prime Remastered. O resultado? Beyond é, sem reservas, um  jogo que prova que as mecânicas consagradas da Retro Studios ainda têm muito a dizer.

No entanto, o retorno não vem sem uma pontada de decepção: depois de tanto tempo, o outrora pioneiro do gênero parece ter se acomodado na fórmula, optando pela segurança  em vez de uma verdadeira revolução e pior: tentando ser o que nunca foi, sacrificando sua essência por uma narrativa militar forçada.

Dessa vez, a icônica heroína Samus Aran é teleportada para o planeta Viewros após uma luta titânica contra o aterrorizante Sylux, onde se depara com o turbulento destino de uma raça extinta com dons psíquicos: os Lamorn.

A Retro Studios faz um trabalho soberbo em revelar a história dessa civilização e essa narrativa ambiental (o scan lore) é, por si só, um dos pontos fortes do roteiro. Através do visor de escaneamento, desvendamos o mistério de laboratórios congelados, fornalhas em vulcões extintos e os restos de experimentos horríveis, algo que só a saga Prime consegue fazer com tanta maestria, construindo um mundo que parece vasto e antigo.

O problema é a lentidão desse processo. Há uma enorme quantidade de elementos de cenário, inimigos e mecanismos para escanear, mas o tempo necessário para segurar o gatilho e absorver as informações por dezenas de segundos é irritante e desnecessário. Muitas vezes, o jogador se pega suspirando ao entrar em uma nova sala, sabendo que precisa passar um bom tempo parado apenas para destravar partes da história ou encontrar o caminho a seguir. É uma mecânica central que, paradoxalmente, prejudica o ritmo do jogo, transformando a descoberta em uma obrigação cansativa, que o remaster anterior provou ser possível de agilizar.

Como em qualquer bom Metroidvania, a progressão é a recompensa. O caminho a seguir e vários recantos opcionais se abrirão gradualmente à medida que Samus expande seu arsenal com munição elemental e habilidades de movimento (como a Morfosfera aprimorada, que agora pode pular sem mina).

O jogo capricha no level design das cinco grandes áreas temáticas, que se transformam drasticamente com cada melhoria (o laboratório congelado que derrete ao religar a energia é um excelente exemplo). O problema de Beyond não está na progressão das masmorras, mas sim na estrutura arcaica que tenta forçar o jogo a ser mais longo com muito backtracking de longas distâncias sem evoluir essas mecânicas.

Review | Metroid Prime 4: Beyond compensa a longa espera de 17 anos
Nintendo

O problema da companhia: Metroid vira Halo

Descobrir mais
Serviços de streaming de filmes online
Jogo eletrônico
jogo
games
Jogos

Beyond é um jogo que tenta, de forma desajeitada, ser o que nunca foi: um jogo com foco na narrativa militar e em personagens secundários com diálogos de efeito. A inclusão de vários membros da Federação Galáctica perdidos em Viewros, que Samus precisa auxiliar e reunir, é o cerne do problema narrativo e estrutural da aventura. Se para você Metroid é sobre Samus, isolada em um planeta inóspito, desvendando seus mistérios em silêncio, sinto muito em lhe dizer, mas não é isso que MP4 oferece. O jogo se apoia na interação de Samus com seus comparsas da Federação que, à exceção de Myles, conseguem ser no mínimo divertidinhos.

A Retro Studios quer que nos concentremos no destino da Federação e das forças armadas envolvidas, mas isso nunca funciona e chega a ser irritante: a sensação de estar diante de um episódio ruim da série Halo passou pela nossa cabeça diversas vezes. Os soldados geram inconsistências absurdas, e a contribuição deles para a trama é desinteressante, composta por arquétipos muito explorados. A história não leva a lugar nenhum, e a presença desse elenco de soldados gera sequências de missões de escolta maçantes que interrompem o ritmo e forçam Samus a se envolver em combate desnecessário.

Enquanto os coadjuvantes falam bastante, o mesmo não pode ser dito sobre o vilão Sylux, o novo antagonista da franquia que finalmente aposenta a Dark Samus. O personagem aparece pouco e praticamente nada desenvolvido, mas garante boas batalhas. Uma pena porém que a variedade de inimigos seja fraca, já que o jogador se vê obrigado a duelar contra as mesmas criaturas com poucos diferenciais a depender da masmorra.

Pior que a companhia forçada é o comportamento intrometido dos NPCs. O jogador recebe ajuda de um engenheiro da Federação, Myles, que constantemente interrompe as comunicações para “lembrar” Samus de seus objetivos. A assistência excessiva atinge um ápice nesse ponto, pois, em um  jogo Metroid, a glória está em se perder para se encontrar. Essa restrição à exploração e o incentivo a se perder artificialmente (graças ao deserto) subverte a essência do Metroidvania.

Apesar da irritação do backtracking no deserto, é irônico que esse mundo aberto, às vezes, seja o único lugar onde é bom ter a voz de Myles para te lembrar de que você “esqueceu um chip elemental” na área anterior. Essa é a única atenuante para o comportamento intrometido dos NPCs. A história de Lamorn é a única força motriz real de progressão, mas é sufocada por um elenco que não contribui em nada para a profundidade de Samus ou da mitologia da saga.

Review | Metroid Prime 4: Beyond compensa a longa espera de 17 anos
Nintendo
A controversa motocicleta futurista Vi-O-La é, sem dúvida, o elemento de jogabilidade mais original e, ironicamente, o mais prejudicial deste episódio. O veículo tem uma direção suave e é até divertido de pilotar, permitindo que Samus explore o Deserto de Viewros com facilidade. No entanto, a pergunta é: “qual é o sentido de tudo isso?”

O mapa único e coeso, onde todos os setores se reuniam em um todo orgânico e interligado (a marca registrada do level design dos Metroidvania 3D), desapareceu. Agora temos cinco regiões distintas ligadas por um deserto gigantesco e vazio. Sejamos honestos, isso prejudica seriamente o prazer da exploração e o fluxo da jogabilidade, especialmente porque algumas dessas regiões são realmente desinteressantes em termos de design de níveis e o mapa é um obstáculo constante ao invés de um convite à descoberta. O mundo aberto deve ter sido uma imposição comercial após o sucesso de Breath of the Wild em 2017.

O deserto, além de ser incrivelmente estéril, serve principalmente para prolongar desnecessariamente o irritante vai e vem (o backtracking). A área possui alguns momentos dedicados, como santuários com melhorias opcionais, mas todos terminam em cinco minutos e são muito poucos para justificarem a travessia.

O crime mais flagrante desse deserto é a forma como ele perturba completamente o design de níveis da franquia, atuando como uma zona de transição preguiçosa que impede as interconexões orgânicas e espertas que esperávamos da Retro Studios.

A consequência direta disso é que as diferentes áreas parecem compactas demais e desconectadas, exigindo que você volte à única entrada do deserto para acessar o resto do planeta. O tempo médio para terminar o jogo e coletar quase todos os itens (13 horas e 30 minutos) é o tempo que se levava para terminar apenas a história nos jogos anteriores.

Esse tempo inflado se deve diretamente ao backtracking forçado e sem sentido pelo deserto, que serve como uma barreira artificial de tempo. A única utilidade é bater nos cristais verdes que você é “aconselhado” a coletar, uma tarefa completamente entorpecente que não oferece nenhuma aventura. O final é fechado até você cumprir essa exigência, aliás.

Após 8 anos de espera, 'Metroid Prime 4' ganha data de lançamento
Nintendo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Cantora Alice Caymmi lança álbum em homenagem ao avô

CULTURA - A vontade de levar a obra do avô Dorival Caymmi a novas gerações já estava nos planos da cantora Alice Caymmi há três...

Festival leva turnê de artistas afro-indígenas a 15 estados

CULTURA - A 28ª edição do Sonora Brasil, festival de música brasileira realizado pelo Sesc, promoverá uma turnê nacional com artistas e grupos da música...

Faturamento do mercado fonográfico brasileiro cresce 14% em 2025

CULTURA- A arrecadação do mercado fonográfico brasileiro registrou um crescimento de 14,1% em 2025, ao atingir um faturamento de R$ 3,958 bilhões. O resultado, segundo...

Apenas 10% dos direitos autorais no setor musical vão para mulheres

CULTURA - Estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) aponta que apenas 10% dos direitos autorais na indústria da música foram destinados a mulheres em 2025. Além...

Tuiuti homenageará a matriarca do samba Tia Ciata no carnaval de 2027

CULTURA - A Paraíso do Tuiuti é a primeira escola a anunciar o enredo para 2027 e escolheu um tema potente: Ciata: a mãe preta...

A Grande Família é a campeã do Carnaval de Manaus 2026

CULTURA - Conhecida como a “gigante da zona leste”, a Grande Família encerrou seu desfile no sábado (14) sob forte apoio da torcida, que ocupou...

O Agente Secreto vence Spirit Award como melhor filme internacional

CULTURA - O longa brasileiro O Agente Secreto venceu neste domingo (15) o Film Independent Spirit Awards na categoria Melhor Filme Internacional. Esta foi a terceira indicação...

Marciele Albuquerque ganha nova toada do Boi Caprichoso para o Festival de Parintins 2026

CULTURA - Marciele Albuquerque, que atualmente integra o elenco do BBB 26, foi homenageada com uma nova toada dedicada ao item Cunhã-Poranga do Boi...

Mostra de Tiradentes terá 13 longas em pré-estreia mundial

CULTURA - A Mostra de Cinema de Tiradentes, considerada a primeira grande vitrine do cinema brasileiro no calendário anual de festivais, divulgou nesta semana a programação...

Milton Nascimento receberá título de Doutor Honoris Causa pela Fiocruz

CULTURA - O cantor e compositor Milton Nascimento vai receber na próxima terça-feira (16) o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Fundação Oswaldo Cruz...

Setor cultural emprega 5,9 milhões de pessoas no Brasil

CULTURA - Em 2024, o setor cultural empregou 5,9 milhões de pessoas no Brasil, o maior valor da série iniciada em 2014, acompanhando o dinamismo...

Saiba como agendar para Fábrica do Papai Noel, Vila de Natal e Festival de Natal no Teatro Amazonas

CULTURA -  A magia do Natal começa aa partir desta terça-feira (02) em Manaus. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), inicia...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_imgspot_img
Últimas do Esporte
CMMspot_imgspot_img
LALTEC - SOLUÇÕES DIGITAIS 92 99199-5270spot_imgspot_img

Samu Manaus alcança nível máximo de excelência no atendimento a AVC

MANAUS -O atendimento pré-hospitalar às pessoas com quadro agudo de Acidente Vascular Cerebral (AVC), oferecido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192),...

Prefeitura de Manaus avança com pavimentação em ramal e fortalece mobilidade e economia na zona rural

MANAUS - A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), segue ampliando a presença das ações de infraestrutura em todas as...

Prefeitura de Manaus publica ‘Plano de Trabalho Anual de Auditoria’ para o exercício de 2026

MANAUS - A Prefeitura de Manaus, por meio da Controladoria-Geral do Município (CGM), tornou público o “Plano de Trabalho Anual de Auditoria” (PTAA) para o...
PRADOSOMspot_imgspot_img
Notícias Relacionadas
Programa Caiu Na Rede Manospot_imgspot_img
CMMspot_imgspot_img