POLÍTICA- Exibindo vídeos e imagens chocantes da operação da Polícia Federal com forte aparato de helicópteros e barcos despejando chuva de bombas para explodir flutuantes no porto de Manicoré, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) protestou hoje na Comissão de Infraestrutura e na tribuna do Senado contra o terror que está deixando em pânico moradores e crianças das escolas. Com o apoio de todos os senadores, a pedido de Plínio como primeiro signatário, a Comissão de Infraestrutura encaminhará ao Ministério da Justiça ofício para que explique o motivo e quem autorizou a operação que, a pretexto de combater o crime organizado, deixou sem teto famílias de trabalhadores de cooperativas com CNPJ que , pela Constituição, tem direito de fazer o extrativismo mineral artesanal.
As grandes dragas do garimpo ilegal do crime organizado, disse Plínio, ficam intocados e ninguém foi preso.
_ Sob o pretexto de combater o tráfico de drogas, extrapola, humilha e joga no abandono dezenas de famílias que residem nessas casinhas flutuantes no Porto da cidade de Manicoré , nessas casas, que eu mostrei para vocês, que, de forma extrativista, ficam ali catando migalhas de ouro em grama, que mal dá para o sustento _ protestou Plínio.
No seu pronunciamento Plinio pediu a suspensão da operação que deve se repetir atacando a Cooperativa de mineradores artesanais da Calha do Rio Madeira, Cooperativa dos Extrativistas Minerais Familiares Artesanais de Novo Aripuanã, Cooperativa dos Mineradores Sustentáveis e em Pequena Escala Artesanal de Humaitá e Cooperativa dos Mineradores Sustentáveis em Pequena Escala Artesanal de Manicoré. Com requintes de terror. As imagens mostradas por Plínio foram comparadas ao filme de guerra de Hollywood, Apocalipse Now.
_ Eles não avisam, o helicóptero sobrevoa, as escolas têm que paralisar, porque fica todo mundo aterrorizado, os direitos humanos vão para a cucuia, direitos infantis de crianças não se respeitam, e eles continuam abusando da minha gente e do meu povo. É repugnante! _ condenou Plínio
_ São leões quando se trata de pequenos agricultores, de pessoas humildes, e são gatinhos quando vão combater o narcotráfico. Dizem até que essa operação é para combater o narcotráfico. Cadê as drogas? Cadê os presos? Mentira pura. Covardia pura! _ completou
Plinio também lembrou seu projeto que prevê a destinação de balsas e dragas apreendidas do garimpo ilegal para instituições sociais e para o patrimônio público, ao invés de explodir poluindo o meio ambiente e matando a fauna dos rios.
_ Olhe só, essa fumaça subiu, poluiu o ar, o óleo diesel desses flutuantes ficou poluindo a água na superfície, e a madeira, o alumínio e o ferro foram para o fundo do leito do rio. E pior: agora, com a madeira submersa, com óleo diesel na superfície do rio, em cima do rio, os peixes serão mortos, a fauna toda ali vai perecer. E tudo isso, meu amigo Jaime, em nome do meio ambiente. Quanta hipocrisia _ disse.
Em seus pronunciamentos, Plínio sugeriu que essa pirotecnia das forças governamentais pode ter ligação com a intenção do presidente Lula entregar para grandes grupos econômicos a exploração dos rios da Amazônia, entre eles o Rio Madeira, onde estão sendo expulsos pequenos catadores de minérios.
_ Esse ouro que esses pobres coitados tiram para sobreviver há décadas não sobra para nada: não sobra para uma viagem, para uma bicicleta; não sobra para nada, só para comer. Esse ouro que está submerso, que está no leito, que eles tiram de forma até – é sacrificante, mas está lá – sem maiores pesquisas, vai ser privatizado. E quem vai ganhar essa privatização? Os chineses? Talvez, porque já ganharam a mina de Pitinga, cara! Ou então uma JBS. Vão dragar o rio e, ao dragarem o rio, vão encontrar muito ouro no leito do Rio Madeira, esse ouro que os pobres coitados exploram há décadas. E eles agora foram expulsos de sua residência _ prevê Plínio.

















