POLÍTICA- Depois dos pequenos produtores rurais, agora são famílias de ribeirinhos que moram há décadas ao longo do Rio Juma, nos municípios de Autazes e Castanho, que estão ameaçados de expulsão, com o projeto de leilão daquelas áreas de floresta que vive hoje do turismo de pesca esportiva. Em discurso na tribuna, hoje, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) anunciou que irá entrar com uma ação, via Senado, para pedir informações ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ministério Público Federal sobre a legalidade de um edital que trata da gestão privada dessa parte da floresta, cujo vencedor da licitação para fazer o mapeamento da área é justamente um ex-funcionário do Ministério do Meio Ambiente.
_ É uma aberração. Para quem não conhece o Rio Juma é um rio pequeno, um rio bonito, mas que vive da pesca esportiva. E, de repente, querem vender aquela floresta para pessoas sabe lá quem. E como vai arrematar e como vai conseguir isso? _ questiona Plínio.
É uma área que tem 50, 60 pousadas de pesca. O turismo lá é de pesca. Pequenos agricultores.
_ Nós fomos surpreendidos agora com um barco de uma equipe que ganhou a licitação para fazer um relatório, um apanhado da quantidade de espécies de árvores que existem, vão quantificar para calcular quanto vale aquela floresta para depois ir a um leilão . Eu estou falando de pessoas que estão lá há décadas. Eles vão abrir para aquela questão de gestão de floresta a particulares. Só que ali moram famílias há décadas, o bioma é frágil, não comporta se for para tirar madeira, fazer o manejo e vender, nem para crédito de carbono _ denunciou Plínio.
Ele explicou que o que chama a atenção é a forma, fazer um levantamento para leiloar as terras sem que os moradores sejam consultados, uma exigência do próprio edital. No pedido de informações Plínio quer saber: quem ganhou essa licitação? De que forma ganhou? Qual é o trabalho que está fazendo? O edital diz que as terras serão regularizadas, mas os moradores e donos de pousada temem perder tudo, como vem acontecendo com os pequenos agricultores. Nenhuma das 7 mil pessoas da comunidade foi ouvida até agora.
_ Os moradores me alertaram e eu ontem pedi que eles fossem até o barco. Eles educadamente pediram para o barco se retirar, porque não é justo. Você mora ali, você controla, você preserva e vem alguém ganhando dinheiro por aquilo que você fez. E quem ganhou o edital ? foi um ex-funcionário do Ministério do Meio Ambiente – isso explica aquilo que a gente fez nas ONGs _ e ganhará R$350 mil para fazer esse relatório, esse levantamento. Então, nós estamos de olho em quê? Na necessidade de audiência pública. Para ouvir os moradores __ disse Plínio.

















