SÁUDE – No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, comemorado nesta segunda-feira (1º), mais do que celebrar a data, é hora de agir. O alerta está no novo relatório do Unaids, programa das Nações Unidas sobre HIV, elaborado especialmente para marcar a data. O documento demonstra preocupação com o cenário atual e revela que a resposta global ao HIV sofreu seu revés mais significativo após décadas de combate, resultado da redução do financiamento internacional e da falta de solidariedade global.
Esses dois fatores combinados causaram um choque nos países de baixa e média renda, onde há maior incidência de HIV, de acordo com o relatório “Eliminar as barreiras, transformar a resposta à Aids”, do Unaids, divulgado na terça-feira (25).
Hoje, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo e, só no ano passado, foram registradas mais de 1 milhão de novas infecções. Quase 10 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento. Para a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, “a crise de financiamento expôs a fragilidade do progresso que lutamos tanto para alcançar”.
Byanyima afirma que “por trás de cada dado deste relatório estão pessoas, bebês e crianças que não tiveram acesso a exames de HIV ou diagnóstico precoce, mulheres jovens que não receberam apoio à prevenção e comunidades que, de repente, ficaram sem serviços e cuidados”, diz. “Não podemos abandoná-las. Precisamos superar essa interrupção einterrupção e transformar a resposta à Aids”, pediu ela.
Apelo às lideranças
O Unaids faz um apelo às lideranças globais para que mantenham o financiamento internacional, reafirmem a solidariedade global, o multilateralismo e o compromisso coletivo de combater a Aids de forma conjunta.
As reduções na assistência internacional este ano aprofundaram os déficits de financiamento que já existiam. A OCDE estima que a assistência externa à saúde deve cair entre 30% e 40% em 2025, em comparação com 2023, causando interrupções imediatas e ainda mais graves nos serviços de saúde em países de baixa e média renda. Segundo o Unaids, “o fracasso em atingir as metas globais pode resultar em 3,3 milhões de novas infecções por HIV entre 2025 e 2030”.

















